Casas de farinha
As casas de farinha representam um dos saberes-fazer mais significativos da cultura caiçara no Litoral Norte de São Paulo. Os registros fotográficos e documentais do acervo Dedé França são fundamentais para compreender essa prática, evidenciando a forte influência das tecnologias indígenas na cultura regional, uma influência frequentemente negligenciada pelos registros históricos oficiais, mas que permanece viva nas técnicas e nos equipamentos utilizados.
O acervo, formado por registros manuscritos, publicações e fotografias, detalha todo o processo de transformação da mandioca em farinha, que, juntamente com o peixe, foi por séculos a base alimentar das comunidades tradicionais. As imagens documentam a complexidade operacional e os instrumentos envolvidos, como prensas, tipitis e fornos, demonstrando a sofisticação desse conhecimento transmitido entre gerações.
A relevância do criterioso registro feito por Dedé está em sua dupla função: ele preserva a memória de uma técnica ancestral e ressalta a importância da sua salvaguarda como patrimônio cultural. As fotografias capturam tanto as etapas do trabalho, como a sua dimensão coletiva, ilustrando como essa atividade está intrinsecamente ligada à organização social e à identidade caiçara.
Se por um lado as casas de farinha se tornaram cada vez mais raras, iniciativas contemporâneas buscam resgatar esse saber-fazer, articulando-o a estratégias de turismo de base comunitária. É o caso das Casas de Farinha do Bonete, do Portinho e de Castelhanos, que hoje funcionam como referências desse patrimônio vivo.




























