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Congada de São Benedito

Há mais de duzentos e cinquenta anos, as ruas da Vila de Ilhabela se transformam no palco da Congada de São Benedito. Com forte influência bantu, essa celebração teatralizada narra, através de cantos, danças e falas, o embate entre dois grupos: os congos de cima, vestidos de azul, representando os cristãos, e os congos de baixo, de vermelho, os mouros de Luanda. A disputa pelo trono do Rei do Congo se desenrola em três bailes marcados pelo som ancestral da marimba e dos atabaques.

Além de Ilhabela, as cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral Norte de São Paulo, também possuem registros de congadas semelhantes, revelando uma identidade cultural comum que se desenvolveu através do mar. No continente, a manifestação foi registrada pela equipe da Comissão Paulista de Folclore na década de 1960. Já a Congada de Ilhabela foi meticulosamente retratada por Dedé a partir do início dos anos 1970 e, por muitas décadas, foi seu principal objeto de estudo e interesse. Em 1981, Dedé publicou o livro “Congada de Ilhabela na Festa de São Benedito”, até hoje considerado uma referência.

Nas três cidades do Litoral Norte é possível identificar períodos de adormecimento das congadas, provocados não só por proibição da igreja, mas também como pela mudança no modo de vida caiçara. Enquanto a de Caraguatatuba não se apresenta há mais de 50 anos, a de São Sebastião está reduzida, mas possui o lema “a congada adormece, mas não morre jamais”.

Já a Congada de Ilhabela superou períodos de dificuldades, mantendo-se forte e pujante até os dias de hoje. Não só mobiliza um número crescente de moradores e congueiros devotos de São Benedito, mas também se afirma como uma manifestação que une fé, organização comunitária, história e resistência cultural.

Os registros realizados por folcloristas foram essenciais nos tempos de quase “adormecimento” das Congadas, pois os mestres, junto com os mais velhos, puderam comparar esse material com a tradição oral e dar continuidade aos seus folguedos. Em 2025, as Congadas foram registradas como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reforçando a importância do trabalho feito por Iracema França.

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Nossa equipe tomou todas as medidas razoáveis para obter autorizações de uso dos materiais aqui divulgados, bem como para identificar e localizar as pessoas neles retratadas. Ficamos à disposição de quaisquer titulares de direitos ou pessoas retratadas que desejem se manifestar via e-mail: verpracrerproducoes@gmail.com

Régua de logos com identificação dos realizadores do projeto. Fomento: Proac SP; Produção Ver Pra Crer Produções; Apoio: Secretaria de Turismo e Fundass, da Prefeitura de São Sebastião, e Grão Editora; Realização: Cult SP e Governo do Estado de São Paulo.