Casas caiçaras
O acervo de Iracema preserva a memória das casas caiçaras de Ilhabela, testemunhos de uma técnica construtiva secular. Essas moradias eram majoritariamente erguidas em taipa-de-mão, uma herança dos colonos portugueses e escravizados, utilizando terra, madeira e outros materiais locais. Suas paredes de barro e estruturas de madeira revelam um profundo conhecimento empírico, perfeitamente adaptado ao clima e aos recursos da Mata Atlântica.
As casas com essa técnica vernacular, também chamada de pau-a-pique, também tem influência indígena, e são simbólicas das populações mais carentes e isoladas do Brasil.
A organização das comunidades era orgânica e inteligente. As casas se distribuíam de forma aleatória, interligadas por trilhas e, quase sempre, sem cercas. Era comum encontrar amplas varandas que integravam a vida doméstica à natureza. A construção era um evento comunitário: o “barreamento” das paredes reunia amigos e familiares, transformando o trabalho em uma celebração da cultura coletiva caiçara.
O registro dessas edificações no acervo documenta a construção feita com uma técnica que está desaparecendo sob a pressão do turismo e dos novos materiais industriais, que representa não apenas um estilo arquitetônico, mas todo um modo de habitar, um patrimônio imaterial de saberes e fazeres que se constituem em uma relação íntima e de respeito a natureza. Nesse sentido, importa destacar os esforços empenhados nas construções das novas casas de farinha e na pesquisa de arquitetos como Alain Briatte Mantchev, que pesquisam e promovem o resgate e a disseminação das técnicas tradicionais.
















