Coleção de cartões-postais
A coleção de cartões-postais de Ilhabela encontrada no acervo de Iracema França, sua grande maioria produzida nos anos 70 e 80, documenta o momento preciso em que a ilha se reinventa para o mundo. Estes pequenos cartões são registros materiais de uma nova identidade que se consolidava: a de destino turístico. As imagens escolhidas não eram aleatórias. Elas destacavam praias de mar calmo, costões, cachoeiras e uma natureza que parecia intocada – uma narrativa visual perfeita para atrair um turismo urbano em busca do “paraíso” preservado.
Os postais vendiam a ilha como refúgio natural, o próprio ato de produzi-los e comercializá-los em larga escala sinalizava a chegada da infraestrutura e da economia do turismo. Os cartões eram, eles mesmos, um produto dessa nova realidade. Com eles, vinham a abertura de pousadas, a circulação de visitantes e a valorização da paisagem como um produto a ser consumido.
Revisitar esses cartões-postais no acervo é como retornar a uma Ilhabela tranquila e idílica. Eles congelaram a imagem que a ilha desejava projetar durante sua primeira fase de expansão turística, revelando os valores e desejos que moldaram sua fama como um destino de praia, sol e natureza.


























