Engenhos
O acervo de Dedé revela uma fase da história de Ilhabela marcada por uma intensa atividade econômica em torno da cana-de-açúcar e da produção de cachaça. Segundo seus registros, a ilha chegou a abrigar 31 engenhos de açúcar e aguardente. Em uma de suas reportagens, ela documenta que a Fazenda Engenho D’Água ainda mantinha a produção em 1975, fabricando uma cachaça de alta qualidade até meados do século XX.
Para além da dimensão econômica, é crucial destacar que a sombra desses engenhos evidencia a profunda e trágica herança da escravidão na ilha. A mão de obra que movia essas estruturas era majoritariamente escravizada.
Diante desse legado, o acervo transforma-se em ferramenta fundamental para uma releitura da história ilhabelense. Através dele, é possível construir uma narrativa crítica do período colonial, que busque dar voz aos silenciados e explicitar as estruturas de poder então vigentes.
Um mergulho nesses registros para revisitar a história dos engenhos, portanto, precisa ir além de um mero exercício de nostalgia. Trata-se de compreender as raízes de um processo contínuo de exclusão, conectando passado e presente. Essa perspectiva se faz urgente quando se observa que, nos dias de hoje, a terra transforma-se novamente em mercadoria inacessível, repetindo ciclos de desigualdade que perduram na estrutura social do município.

















