Folia de Reis
A Folia de Reis é uma manifestação cultural de origem religiosa que chegou ao Brasil com os primeiros padres jesuítas, sendo utilizada como ferramenta no processo de evangelização dos povos indígenas. Presente em praticamente todas as regiões do país, a festa homenageia os três Reis Magos e o nascimento de Jesus Cristo.
Na primeira metade do século XX havia vários grupos que “tocavam Reis” em Ilhabela e São Sebastião. Entre dezembro e 6 de janeiro – período em que a Folia de Reis acontecia – os tocadores viravam noites se apresentando nas casas de vizinhos e conhecidos.
A partir dos anos 70, a manifestação já dava sinais de enfraquecimento – e o impacto do turismo foi decisivo para esse declínio. De acordo com Dito de Rosa, uma importante figura da história da folia e da Congada de São Benedito, como as festividades ocorrem no final do ano e início de janeiro – justamente o momento de maior movimento de turistas na ilha –, a dinâmica social da comunidade foi profundamente alterada. Em uma reportagem publicada em 1980 no jornal O Estado de S. Paulo, Dito Rosa sintetizou a raiz do problema: conforme os caiçaras deixavam de trabalhar em sua própria terra e passavam a ter empregos com horários fixos, eles perderam o controle sobre o próprio tempo. Nas suas palavras, “o tempo deles é do patrão”.
Essa mudança na estrutura socioeconômica ilustra como o desenvolvimento do turismo e a especulação imobiliária catalisaram uma transformação profunda na cultura popular local. A folia, que dependia da disponibilidade e do engajamento da comunidade em seu próprio ritmo, viu seus participantes serem absorvidos por uma nova lógica de trabalho e tempo, alienando-os das tradições que outrora davam o ritmo à vida na ilha.
Nessa época, Dedé ajudou a organizar diversos encontros regionais com premiações para os melhores grupos. Alguns dos áudios que você escuta aqui foram registrados nesses encontros.
Atualmente, ainda existem alguns grupos de Folia de Reis ativos em Ilhabela, financiados pelo poder público. Porém, eles perderam a força e o protagonismo que já houve no passado.













