Hemeroteca
A hemeroteca do acervo é uma ferramenta fundamental para compreender os ciclos e os desafios persistentes de Ilhabela. A pesquisa nesses arquivos revela com clareza como problemas estruturais do passado continuam a definir o presente da ilha. Reportagens dos anos 1980 já alertavam para vazamentos de óleo que ameaçavam as praias, pela má qualidade do serviço de balsas e pela grilagem de terras e os problemas com moradia – questões que, sob novas roupagens, seguem como entraves ao desenvolvimento sustentável.
Esse arquivo jornalístico também permite medir a distância entre o progresso prometido e o realizado. Na década de 1980, o nascente turismo era visto como a grande vocação econômica. Em 1981, a ilha contava com 16 hotéis, mas seus maiores desafios, segundo as manchetes da época, eram a precária infraestrutura sanitária e a falta de saneamento básico. Quatro décadas depois, mesmo com Ilhabela se tornando um dos municípios de maior arrecadação do país, esses mesmos problemas críticos permanecem, evidenciando um modelo de desenvolvimento que priorizou o crescimento econômico sem resolver as necessidades fundamentais da população.
Por outro lado, a hemeroteca testemunha uma transformação profunda e positiva: a mudança na forma de representar as comunidades caiçaras. Nas reportagens dos anos 80 e 90, prevalecia um olhar estrangeiro e preconceituoso, que as retratava como povos “exóticos”, “resignados” e de “fala pouca”. Hoje, graças ao fortalecimento dos movimentos identitários e a leis de proteção, as populações tradicionais conquistaram voz. A luta permanece, mas a narrativa mudou: da resignação imposta pelo olhar alheio ao orgulho e à resistência ativa na defesa de seus territórios e de seu modo de vida.



























