Paisagens
Os registros das paisagens de Ilhabela são arquivos vivos da complexa relação entre sociedade e natureza. A imagem contemporânea da ilha, com seus morros recobertos por Mata Atlântica, escondem uma história de profundas transformações. Os registros do acervo revelam que, em um passado recente, essas mesmas encostas foram desmatadas para dar lugar a cultivos de cana-de-açúcar e café. Essa constatação evidencia que a chamada “floresta intocada” é, na verdade, resultado de um processo dinâmico de intervenção e regeneração.
A criação do Parque Estadual, em 1977, representou um marco crucial ao conter a expansão das fronteiras agrícolas e permitir a recuperação florestal. No entanto, esse novo paradigma de conservação não eliminou as pressões ambientais, mas as reformulou. A paisagem atual se vê agora tensionada por uma nova frente de expansão: a especulação imobiliária e o turismo de alto impacto, que ameaçam tanto o ambiente quanto o modo de vida das comunidades tradicionais que historicamente preservaram esse território.
Olhar para os registros da paisagem ilhabelense de décadas atrás, sem dúvidas, é experimentar o reconhecimento da importância da construção e manutenção de políticas de preservação ambiental. Ainda assim, o desafio que o acervo nos convida a enfrentar é o de superar a visão que contrapõe a proteção ambiental e o desenvolvimento humano. Tal perspectiva nos convoca a construir uma agenda de futuro que compreenda a floresta em pé como patrimônio socioambiental indivisível. Isso implica promover um desenvolvimento genuinamente sustentável — economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente responsável —, garantindo que a preservação não se torne um privilégio elitista, mas um projeto coletivo para a cidade.


































