Baú da Dedé: digitalização e salvaguarda de um patrimônio
Nascida em São José dos Campos em 1919, Iracema França Lopes Corrêa, conhecida como “Dedé” – apelido dado pela irmã mais nova –, uniu em sua trajetória duas heranças familiares: as raízes caiçaras de sua família materna, nativa de Ilhabela (SP), e o engajamento intelectual de seu pai.

Baú da Dedé é uma iniciativa de preservação e democratização do acervo histórico da folclorista Iracema França Lopes Corrêa (1919-2009), conhecida como Dedé. O objetivo central do projeto é transformar em bem público um acervo que, embora de profundo interesse coletivo, mantinha-se até então em caráter privado.
O projeto opera em duas dimensões fundamentais para a preservação do patrimônio cultural. Na dimensão simbólica, este trabalho fortalece a memória, a identidade e a territorialidade caiçara.
O acervo é um farol que ilumina as tradições, histórias e saberes de um povo, funcionando como um antídoto contra o apagamento cultural. Ele reconecta as gerações ao seu passado e consolida o sentimento de pertencimento, afirmando a existência e a resistência de uma cultura profundamente ligada ao seu território.
Na dimensão política, a iniciativa reconhece a cultura e a identidade como direitos.
Ao transformar um acervo privado em público, o projeto reafirma sua função política e cidadã, garantindo o acesso à memória coletiva. Investir na salvaguarda de um acervo não é uma ação neutra; é um ato de justiça. O direito à memória, frequentemente um privilégio exclusivo das elites, é democratizado.
Em um momento de intensa pressão da especulação imobiliária e de impactos ambientais sobre as comunidades tradicionais, este projeto surge como uma ferramenta vital de valorização identitária e defesa política, que colabora para que o povo caiçara continue lutando por seu futuro e pelo seu direito de existir. Mais do que apenas preservar o passado, o Baú da Dedé colabora para que os saberes, as memórias e as tradições dos modos de vida caiçaras se revitalizem como fonte de identidade e inspiração para as presentes e futuras gerações.
O trabalho técnico de resgate
A execução do projeto envolve uma equipe multidisciplinar que realizou um minucioso trabalho de:
- Inventário completo de todos os itens do acervo;
- Higienização e restauro de materiais que necessitam de intervenção;
- Catalogação sistemática seguindo padrões arquivísticos;
- Pesquisa histórica para contextualização e identificação de parte dos documentos;
- Digitalização de mais de 80% do material para fins de preservação e acesso remoto;
- Curadoria para organização e divulgação do conteúdo em website público e acessível;
- Elaboração de material educativo para a utilização do acervo em contexto escolar;
- Atividades de promoção e divulgação do acervo.






Como resultado deste trabalho, foi lançado este website do acervo digitalizado para livre consulta. A plataforma, desenvolvida com medidas de acessibilidade, permite que pesquisadores, estudantes e a comunidade em geral explorem este rico material, cumprindo assim o desejo de Dedé de que seu trabalho servisse para fortalecer e perpetuar a cultura caiçara.
A digitalização e disponibilização deste material é uma iniciativa da Ver Para Crer Produções, produtora com sede em Ilhabela, financiada pelo Governo do Estado de São Paulo e realizada com o apoio da Grão Editora e da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Casa do Patrimônio – instituição que custodia o acervo em sua totalidade e onde ele pode ser consultado gratuitamente.
A EQUIPE
Produção
Ver Pra Crer Produções
Produção executiva
Juliana Borges
Curadoria,design e coordenação de produção
Maristela Colucci
Pesquisa histórica e textos
Débora Bergamini
Pesquisa e identificação do material
Maria Claudia França Nogueira – Crau
Catalogação
Erika Palumbo
Assistente de produção e design
Lais Rodrigues
Assistente financeira
Aline Outa
Site
Thais Vilanova
Logotipia
Guilherme Jorgetti
Tratamento de imagens
M Gallego Studio
Assessoria de Imprensa
Camila Prado
Juliana Tiraboschi
Equipe Casa do Patrimônio Histórico de São Sebastião
Consultoria
Fernanda Palumbo
Técnica de arquivo
Cristiane da Silva
Arquivista
Daniela Carvalho Outi
Acessibilidade
7.1 acessibilidade criativa
Coordenação e consultoria: Raíssa Couto e Alexandre Ohkawa
Audiodescrição imagens: Geancarlo Marchesine e Silvia Silveira
Avaliação site: Gustavo Torniero
Roteiro em Libras: Alexandre Ohkawa
Tradução em Libras: Ana Mata, Dayane Luna e Ian Lima
