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Baú da Dedé: digitalização e salvaguarda de um patrimônio

Nascida em São José dos Campos em 1919, Iracema França Lopes Corrêa, conhecida como “Dedé” – apelido dado pela irmã mais nova –, uniu em sua trajetória duas heranças familiares: as raízes caiçaras de sua família materna, nativa de Ilhabela (SP), e o engajamento intelectual de seu pai.

Foto em preto e branco com um farol de sinalização marítima bem no centro da imagem. Ao fundo, o oceano e o céu.
Farol da Ponta do Boi. 1941. Foto: Maria Stella Bergamo

Baú da Dedé é uma iniciativa de preservação e democratização do acervo histórico da folclorista Iracema França Lopes Corrêa (1919-2009), conhecida como Dedé. O objetivo central do projeto é transformar em bem público um acervo que, embora de profundo interesse coletivo, mantinha-se até então em caráter privado.

O projeto opera em duas dimensões fundamentais para a preservação do patrimônio cultural. Na dimensão simbólica, este trabalho fortalece a memória, a identidade e a territorialidade caiçara.

O acervo é um farol que ilumina as tradições, histórias e saberes de um povo, funcionando como um antídoto contra o apagamento cultural. Ele reconecta as gerações ao seu passado e consolida o sentimento de pertencimento, afirmando a existência e a resistência de uma cultura profundamente ligada ao seu território.

Na dimensão política, a iniciativa reconhece a cultura e a identidade como direitos.
Ao transformar um acervo privado em público, o projeto reafirma sua função política e cidadã, garantindo o acesso à memória coletiva. Investir na salvaguarda de um acervo não é uma ação neutra; é um ato de justiça. O direito à memória, frequentemente um privilégio exclusivo das elites, é democratizado.

Em um momento de intensa pressão da especulação imobiliária e de impactos ambientais sobre as comunidades tradicionais, este projeto surge como uma ferramenta vital de valorização identitária e defesa política, que colabora para que o povo caiçara continue lutando por seu futuro e pelo seu direito de existir. Mais do que apenas preservar o passado, o Baú da Dedé colabora para que os saberes, as memórias e as tradições dos modos de vida caiçaras se revitalizem como fonte de identidade e inspiração para as presentes e futuras gerações.

O trabalho técnico de resgate

A execução do projeto envolve uma equipe multidisciplinar que realizou um minucioso trabalho de:

  • Inventário completo de todos os itens do acervo;
  • Higienização e restauro de materiais que necessitam de intervenção;
  • Catalogação sistemática seguindo padrões arquivísticos;
  • Pesquisa histórica para contextualização e identificação de parte dos documentos;
  • Digitalização de mais de 80% do material para fins de preservação e acesso remoto;
  • Curadoria para organização e divulgação do conteúdo em website público e acessível;
  • Elaboração de material educativo para a utilização do acervo em contexto escolar;
  • Atividades de promoção e divulgação do acervo.
Duas mulheres estão sentadas na frente de uma mesa na Casa do Patrimônio, em São Sebastião. Sobre a mesa estão dispostas diversas fotografias em preto e branco. As duas vestem branco. A da esquerda é parda e usa óculos. A da direita usa duas tranças e uma boina e está segurando uma foto.
Cristiane e Crau da Ilha.
Na Casa do Patrimônio de São Sebastião, um homem idoso está de pé ao lado de uma mulher branca de cabelos negros que folheia um caderno antigo. Ao fundo há várias caixas brancas organizadas dispostas em prateleira.
Tato – filho de Dedé – e Daniela.
Na Casa do Patrimônio de São Sebastião, duas mulheres observam fotografias em cromo dispostas sobre uma mesa. A da esquerda tem cabelos curtos e veste um casaco preto. A da direita é parda, usa óculos e veste uma blusa cinza.
Juliana e Cristiane.
Na Casa do Patrimônio, uma mulher está sentada na frente de uma mesa examinando fotografias em slide sobre uma mesa de luz. Ao redor da mesa de luz há várias folhas de papel com slides dispostos de maneira organizada sobre elas.
Maristela.
Arquivista da casa do Patrimônio veste luvas e manuseia um documento antigo com uma espécie de caneta usada para tirar vincos. A imagem é fechada e mostra detalhes das mãos e do documento.
A limpeza detalhista.
Arquivista da casa do Patrimônio veste luvas e manuseia um documento antigo com um pincel, utilizado para remover sujeira e poeira.
Erika.

Como resultado deste trabalho, foi lançado este website do acervo digitalizado para livre consulta. A plataforma, desenvolvida com medidas de acessibilidade, permite que pesquisadores, estudantes e a comunidade em geral explorem este rico material, cumprindo assim o desejo de Dedé de que seu trabalho servisse para fortalecer e perpetuar a cultura caiçara.

A digitalização e disponibilização deste material é uma iniciativa da Ver Para Crer Produções, produtora com sede em Ilhabela, financiada pelo Governo do Estado de São Paulo e realizada com o apoio da Grão Editora e da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Casa do Patrimônio – instituição que custodia o acervo em sua totalidade e onde ele pode ser consultado gratuitamente.

A EQUIPE

Produção
Ver Pra Crer Produções

Produção executiva
Juliana Borges

Curadoria,design e coordenação de produção
Maristela Colucci

Pesquisa histórica e textos
Débora Bergamini

Pesquisa e identificação do material
Maria Claudia França Nogueira – Crau

Catalogação
Erika Palumbo

Assistente de produção e design
Lais Rodrigues

Assistente financeira
Aline Outa

Site
Thais Vilanova

Logotipia
Guilherme Jorgetti

Tratamento de imagens
M Gallego Studio

Assessoria de Imprensa
Camila Prado
Juliana Tiraboschi

Equipe Casa do Patrimônio Histórico de São Sebastião

Consultoria
Fernanda Palumbo

Técnica de arquivo
Cristiane da Silva

Arquivista
Daniela Carvalho Outi

Acessibilidade
7.1 acessibilidade criativa
Coordenação e consultoria: Raíssa Couto e Alexandre Ohkawa
Audiodescrição imagens: Geancarlo Marchesine e Silvia Silveira
Avaliação site: Gustavo Torniero

Roteiro em Libras: Alexandre Ohkawa

Tradução em Libras: Ana Mata, Dayane Luna e Ian Lima

Na Casa do Patrimônio, uma parte da equipe do projetor formada por cinco mulheres está sentada ao redor de uma mesa. Todas olham para frente sorrindo.
Parte da equipe em reunião na Casa do Patrimônio Histórico de São Sebastião: da esquerda para a direita, Maristela, Fernanda, Débora, Cristiane e Juliana.

Rodapé

Nossa equipe tomou todas as medidas razoáveis para obter autorizações de uso dos materiais aqui divulgados, bem como para identificar e localizar as pessoas neles retratadas. Ficamos à disposição de quaisquer titulares de direitos ou pessoas retratadas que desejem se manifestar via e-mail: verpracrerproducoes@gmail.com

Régua de logos com identificação dos realizadores do projeto. Fomento: Proac SP; Produção Ver Pra Crer Produções; Apoio: Secretaria de Turismo e Fundass, da Prefeitura de São Sebastião, e Grão Editora; Realização: Cult SP e Governo do Estado de São Paulo.