Artesanato
O artesanato caiçara expressa um modo de vida intimamente ligado ao mar e à Mata Atlântica e relaciona-se profundamente às práticas de pesca, agricultura e construção.
Objetos utilitários como redes, cestos, cercas e pequenas embarcações combinam técnicas tradicionais com materiais locais, por exemplo fibras, madeiras e plantas.
A confecção de redes é transmitida de geração em geração e exige nós e arremates precisos. As cercas são simples, fáceis de reparar e feitas com estacas e amarrações funcionais. Barcos e canoas são esculpidos ou montados por carpinteiros locais. Esses saberes promovem o manejo sustentável dos recursos, fortalecem a identidade cultural e a autonomia econômica das comunidades e representam tanto as necessidades cotidianas quanto o imaginário e a visão de mundo caiçara.
É comum, por exemplo, que pescadores de Ilhabela e São Sebastião encomendem réplicas de seus barcos a artesãos das comunidades tradicionais, uma relíquia exposta com orgulho nas casas tradicionais.
Dedé, ao longo de seus anos de dedicação à pesquisa sobre a cultura caiçara, percorreu diversas localidades da ilha registrando o nome dos artesãos, bem como suas técnicas e materiais. Em suas anotações, ela mencionou como o artesanato é mais do que a simples confecção de um objeto, ele representa uma conexão, um elo com o passado e as ancestralidades mais longínquas das populações caiçaras.




















